quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O CRISTIANISMO JUDAIZANTE

A questão relativa ao papel da lei sempre foi uma brecha utilizada por Satanás para tumultuar a Igreja.
INTRODUÇÃO
- Estudaremos a que é, talvez, a mais antiga doutrina falsa que se infiltrou na Igreja, qual seja, a “doutrina judaizante”, isto é, o ensino de que aquele que crê em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador tem de observar os preceitos da lei judaica, observância esta que é necessária para a salvação.
- Os “grupos judaizantes” existiam desde o início da história da Igreja, tendo sido a causa da realização do chamado “concílio de Jerusalém”, a primeira reunião cristã para dirimir dúvidas e questões doutrinárias, registrada em Atos 15, cuja conclusão é a base para o repúdio a estes ensinamentos que, ainda hoje, persuadem e colocam em risco milhares de almas que aceitaram a Cristo como seu Salvador.
I – O SENTIDO DA LEI DE MOISÉS
- Denominamos, neste estudo, de “doutrina judaizante” ao conjunto de ensinamentos que exigem que o salvo, para ser salvo, além de crer em Jesus como Seu único e suficiente Senhor e Salvador, deve observar a lei judaica, isto é, a lei estabelecida por Deus a Israel no monte Sinai, por intermédio de Moisés (Ex.19:5-25), que tem seu ponto máximo nos chamados “dez mandamentos” ou “dez palavras” (Ex.20), mas cujo conteúdo se encontra, basicamente, não só no livro de Êxodo, a partir do capítulo 20, mas também nos livros de Levítico, Números e Deuteronômio, tendo, ao longo dos séculos, sido acrescida de tradições estabelecidas pelos mestres judaicos, os chamados “rabis” (cf. Mt.15:2; 23:4,8).
- A lei, também chamada de “lei de Moisés”, nada mais é que um pacto estabelecido entre Deus e Israel, através do qual Deus escolhia Israel para ser o Seu povo dentre as demais nações da Terra, o que elevava Israel à condição de reino sacerdotal e povo santo (Ex.19:5,6), ou seja, seria um povo separado do pecado e um povo que seria o mediador entre Deus e as demais nações, porque desta nação adviria o Messias, ou seja, o Ungido, Aquele que, da semente da mulher, promoveria a reconciliação entre Deus e os homens (cf. Gn.3:15). É por isso que Jesus, em Seu diálogo com a mulher samaritana, mostrou que a salvação viria dos judeus (Jo.4:22 “in fine”).
- A lei, portanto, foi um acordo entre Deus e Israel, feita para o bem da humanidade, mas com o objetivo de fazer Deus conhecido através deste povo escolhido até que viesse Aquele que, da semente da mulher, esmagasse a cabeça da serpente, tendo ferido o Seu calcanhar. Disto, aliás, foi testemunha o próprio Moisés que, no ocaso do seu ministério, disse a Israel que, do seu meio, surgiria um outro profeta que deveria ser ouvido pelo povo (Dt.18:15).
- Vemos, pois, que a lei, embora fosse santa, e o mandamento, santo, justo e bom (Rm.7:12), não era um instrumento definitivo e feito para permanecer indefinidamente como critério de relacionamento entre Deus e o homem, porquanto tinha um propósito bem marcado: o de fazer com que Israel levasse as demais nações à presença de Deus até que surgisse a semente da mulher para esmagar a cabeça da serpente.
- Tanto assim é que, ao longo da história de Israel, com a lei já em pleno vigor e estabelecida, Deus torna a prometer a vinda dAquele que traria a remissão dos pecados, a reconciliação entre Deus e os homens. Ao escolher Davi como rei sobre Israel, o Senhor lhe promete que, da sua descendência, surgiria um reino que ficaria firme para sempre (II Sm.7:16), um descendente que jamais veria a corrupção ocasionada pelo pecado (Sl.16:9,10; At.2:25-36). Através dos profetas, também, em plena vigência da lei, insiste o Senhor em manter a promessa do Messias, Aquele que traria a redenção do povo, extirpando o pecado e estabelecendo a plena comunhão entre Deus e os homens (Is.7:14; 9:1-7; Dn.9:24-27; Mq.5:2).
- Não bastasse isso, as próprias Escrituras hebraicas previram que a lei seria substituída por um outro pacto, que se estenderia a outros povos além de Israel, como vemos, por exemplo, nos profetas Isaías (Is.49), Jeremias (Jr.31:37-41) e Ezequiel (Ez.47:21-23). E qual seria a personagem que estabeleceria este novo tempo? O Messias, como se lê em Is.42:1,6 e 49:6.
- Vemos, portanto, que, em todo o Antigo Testamento, as chamadas Escrituras hebraicas, a lei nunca foi demonstrada como um elemento definitivo da revelação divina, mas como um mecanismo para guiar o relacionamento entre Deus e Israel até que surgisse o Messias que, como não podia deixar de ser, nasceu sob a lei(Gl.4:4), visto que era um israelita.
- O fato de Jesus ter nascido sob a lei e de tê-la cumprido integralmente (aliás, foi o único homem a cumprir a lei) (Mt.5:17) é, a propósito, a comprovação do que temos dito até aqui. A lei foi estabelecida como um critério de relacionamento entre Deus e Israel até que viesse o Messias. A lei, embora não tivesse o poder de eliminar o pecado, tinha por finalidade mostrar o pecado e prescrever uma conduta para que o povo de Israel se mantivesse separado do pecado (i.e., santo). Assim, imperioso que o Messias, ao chegar, cumprisse a lei, a fim de provar não só que Ele era o Messias, mas que poderia ser o exemplo, pois só mesmo quem cumprisse a Lei teria autoridade para remover o pecado do mundo.
- Jesus nasceu sob a lei e a cumpriu, pois era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), como foi anunciado por João Batista, que, não coincidentemente, foi o último profeta do tempo da lei (Mt.11:13; Lc.16:16). Desta forma, fazia parte do ministério de Jesus, de Sua obra, a observância da Lei, pois só se Se apresentasse como cordeiro sem mancha, sem defeito durante três anos e meio (cf. Ex.12:3-6), poderia ser sacrificado para a salvação da humanidade.
- No entanto, após ter cumprido a lei e Se sacrificado para tirar o pecado do mundo, Jesus esmagou a cabeça da serpente, pois, ao tirar o pecado do mundo, restabeleceu a comunhão entre Deus e os homens, tanto que, ao dar Seu último brado na cruz, o véu do templo se rasgou de alto a baixo, véu este que era o símbolo maior da divisão que existia entre Deus e os homens, apesar da vigência da lei (Mt.27:50,51).
- Na verdade, a observância da lei não tinha tido o condão de tirar o pecado do mundo. A existência de separação entre a arca do concerto, símbolo maior da presença de Deus na lei de Moisés (Ex.25:22; Lv.16:2; Nm.7:89; I Sm.4:21), e o povo era a prova viva de que a lei não conseguira remover o pecado, pecado que era apenas coberto pelo sangue dos animais sacrificados (Sl.32:1; Hb.10:1-4). Todavia, com a vinda de Cristo, Sua morte e ressurreição, os pecados foram removidos e, por isso, estabelecido foi um novo concerto, um novo pacto entre Deus e os homens (cf. Hb.10:9-18). Não foi por outro motivo que Jesus, ao celebrar a última páscoa, instituiu a ceia do Senhor, uma nova cerimônia para dar conta de um novo tempo que se instituía no relacionamento entre Deus e os homens (Mt.26:17-30; Mc.14:12-26; Lc.22:7-23).
- Notamos, portanto, que a lei era um instrumento estabelecido para o relacionamento entre Deus e Israel até que viesse o Messias que, ao cumprir a lei, estabeleceria um novo pacto, uma nova forma de relação entre Deus e os homens, até porque Israel rejeitou a pregação do evangelho por Jesus, abrindo a oportunidade a todas as nações (Mt.10:5,6; 15:24; Jo.1:11-13; Rm.9-11).
II – A DOUTRINA JUDAIZANTE : SUA ORIGEM E A RESPOSTA BÍBLICA A ELA
- Apesar de todas estas evidências bíblicas, Satanás, usando de sua já conhecida e estudada astúcia e sutileza, cedo infiltrou no meio da Igreja a idéia de que a lei continuava vigorando apesar da morte e ressurreição de Jesus. Para tanto, confundiu as mentes de alguns aproveitando-se da circunstância de que Jesus havia realizado Seu ministério debaixo da lei e de que os primeiros crentes eram judeus, já que a primeira pregação do Evangelho após a ascensão do Senhor se deu, precisamente, numa festa judaica, a festa de Pentecostes (cf. At.2:6-11).
- Como Jesus nasceu sob a lei e tinha de cumprir a lei para se mostrar como o Messias, o Santo de Deus (Mc.1:24; Lc.1:35; 4:34; At.3:14), é evidente que sempre encontraremos nas atitudes e ações do Senhor o estrito cumprimento da lei de Moisés, em todos os seus pormenores. Entretanto, o fato de ter cumprido a lei não O impediu de anunciar o Evangelho e de mostrar que o relacionamento que pretendia estabelecer entre Deus e os homens eram mais profundo que a lei, encontrava-se em outro patamar, como deixou bem claro, por exemplo, no sermão do monte (Mt.5-7) e em diversas oportunidades, ao longo do Seu ministério, notadamente na questão a respeito do sábado, onde sempre insistiu que Ele estava acima do sábado (Mt.12:8), bem como que o sábado havia sido estabelecido para o homem e não o homem para o sábado (Mc.2:27).
- O adversário, porém, até hoje, faz ver nestes gestos de Jesus ou em algumas atitudes dos apóstolos de cumprimento da lei uma “comprovação bíblica” de que a lei precisa ser cumprida ainda hoje, mesmo uma chamada “lei moral”, que seria a “lei permanente”, a lei que teria permanecido em vigor a partir da vinda de Cristo, sutil divisão que, não obstante, não se encontra, em momento algum, nas Escrituras, que sempre trata a lei como “lei”, como um conjunto único de regras e mandamentos que norteavam o relacionamento entre Deus e os homens, por intermédio de Israel.
- Assim, é compreensível que, no início da igreja primitiva, os discípulos, judeus que eram, tenham mantido as práticas e os costumes judaicos, observando o sábado, circuncidando-se, observando as leis dietéticas e demais mandamentos da lei. Por primeiro, viviam em Israel e estas práticas e costumes, além de serem religiosos, eram, também, parte da sua cultura, do seu modo de viver na sociedade. A cultura, conjunto de práticas e costumes criados pelos homens em seus respectivos grupos sociais, é conseqüência da própria natureza humana, sendo algo que Deus não retira da vida humana, a menos que contrarie a Sua Palavra. Ora, a cultura judaica havia sido estabelecida por força da própria vontade divina e não haveria, portanto, motivo algum para exigir desta comunidade cristã nascente uma modificação total de modo de vida em sociedade, a não ser naquilo que, eventualmente, estivesse a contrariar as Escrituras.
- Neste ponto, aliás, durante o próprio ministério de Jesus Cristo, vemos que os discípulos não eram tão escrupulosos com a tradição e os costumes culturais como os fariseus, tanto que, mais de uma vez, vemos os fariseus recriminando não só ações dos discípulos, porque em desacordo com os costumes e tradições dos anciãos (cf. Mt.12:2; 15:2) mas do próprio Jesus (Mt.9:11; 12:10). Assim, de pronto, devemos observar que nunca houve em Jesus ou em Seus discípulos um estrito legalismo como o que é apregoado pelos judaizantes. Tudo o que era cultural e não tinha o valor de mandamento divino não era observado por Cristo nem por Seus discípulos.
- Pelo contrário, Jesus denunciou o legalismo, próprio dos fariseus, condenando-o por sufocar a Palavra de Deus (Mt.12:3-8; 15:3-9), bem demonstrando qual era o objetivo da lei e da própria vontade do Senhor, tendo deixado isto bem claro ao preceituar a Sua doutrina, como vemos no sermão do monte (Mt.5-7), onde, aliás, não há qualquer menção à guarda do sábado.
- No entanto, apesar destes testemunhos de Cristo, no início da igreja primitiva, logo surgiram aqueles que não foram cautelosos e cuidadosos, deixando-se levar pelo “fermento dos fariseus”, apesar das advertências do Senhor no Seu ministério terreno (Mt.15:10-20; 16:1-12; Mc.8:15-21), passando a querer exigir a observância da lei como um requisito para a salvação (cf. At.15:1). Surgia, então, a “doutrina judaizante”, que punha a observância dos mandamentos como um elemento necessário para a salvação.
- A “doutrina judaizante” manifestou-se sutilmente na Igreja na forma de um exclusivismo de pregação aos judeus. Os primeiros crentes deixaram-se levar pela cultura judaica e se comportaram como uma mera “seita judaica”, a ninguém pregando o Evangelho senão aos judeus (cf. At.11:19), não atentando para as palavras de Jesus pouco antes de Sua ascensão, segundo a qual teriam de pregar o Evangelho a toda criatura (Mt. 28:19; Mc.16:15; At.1:8). Este comportamento foi desaprovado pelo Senhor, tanto que se permitiu uma dura e cruel perseguição aos crentes para que saíssem de Jerusalém, a fim de propagar o evangelho (cf. At.8:1), mas, ainda assim, mesmo dispersos pelo mundo, os crentes mantiveram uma postura cultural de não pregar senão somente aos judeus (cf. At.11:19), o que somente foi rompido por alguns servos do Senhor de Chipre e de Cirene (região que hoje corresponde ao norte da Líbia), que foram os primeiros a pregar o Evangelho aos gentios, em Antioquia, então capital da província romana da Síria, à qual pertencia a Palestina.
- Esta resistência cultural é bem demonstrada, no livro de Atos, no episódio que nos dá conta da pregação do Evangelho a Cornélio e aos seus (Atos 10 e 11), resistência não só do apóstolo Pedro, mas da igreja em Jerusalém, que foi sempre um dos redutos dos judaizantes.
- Com o início da pregação aos gentios, em Antioquia, estes setores judaizantes de Jerusalém, agindo por conta própria e sem a autorização do seu pastor, Tiago, o irmão do Senhor (cf. At.15:24), passaram a ir até o encontro das igrejas gentílicas que se formavam, defendendo a necessidade da prática da lei para que houvesse a salvação, tendo, neste particular, tido a oposição de Barnabé e de Paulo, os grandes evangelistas entre os gentios. Paulo, aliás, em quase todas as suas cartas, toca no tema, sendo certo que a epístola aos gálatas é inteiramente dedicada a este assunto.
- O tumulto foi tão grande que foi preciso reunir os apóstolos e os anciãos da Igreja em Jerusalém e, sob a orientação do Espírito Santo, decidir a respeito, tendo, então, ficado patente que a observância da lei não era exigível aos gentios, porque não havia qualquer papel a ser exercido pela lei na salvação do homem. Nesta reunião da Igreja, que não foi decisão humana, mas decisão dirigida pelo Espírito Santo (At.15:28), estabeleceu-se, para que não houvesse mais dúvidas, que os gentios deveriam, tão somente, abster das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação (At.15:29), não se devendo, pois, cumprir a lei judaica, nem mesmo a guarda do sábado. Deus, através do Seu Santo Espírito, o Paráclito da Igreja, dava a resposta aos judaizantes, inclusive preparando aqueles que, ao longo da história da Igreja, seriam perturbados de novo por este tipo de doutrina.
- Mas, por que o Espírito Santo assim decidiu, usando dos apóstolos e anciãos da igreja primitiva no concílio de Jerusalém? Porque a “doutrina judaizante”, dentro da sua sutileza, também tem como objetivo menosprezar o sacrifício vicário de Cristo na cruz do Calvário. Na medida em que exigimos a observância da lei para a salvação do homem, estamos a dizer que o sacrifício de Jesus é insuficiente para que o homem seja salvo, que o homem somente será salvo se fizer as obras da lei, o que equivale a dizer que Jesus não é o Salvador.
- Entretanto, a Bíblia é claríssima ao mostrar que as obras da lei são incapazes de salvar o homem e que o homem é justificado sem as obras da lei (Rm.3:28). Na epístola aos romanos, Paulo, como estudamos no trimestre anterior, dá-nos o mais profundo significado da salvação nas Escrituras, precisamente, entre outros pontos, mostrando-nos que a lei jamais pôde salvar quem quer que seja e que somente Jesus pode fazê-lo. A defesa da guarda da lei é, pois, uma demonstração de incredulidade no poder do sacrifício de Cristo no pecado e tudo que não é por fé, é pecado (cf. Rm.14:23 “in fine”).
- Não bastasse isso, que é suficiente para não confiarmos na guarda da lei como requisito para a salvação, o apóstolo Paulo também demonstrou que a lei, ao tornar o homem consciente do seu pecado sem ter a capacidade de salvá-lo, opera tão somente a maldição para o homem, nunca a bênção, de forma que quem escolher a lei como requisito para a sua salvação, estará assinando a sua própria sentença de morte espiritual, pois “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gl.3:10). Por isso, o que a Bíblia nos ensina é que todo aquele que escolher a lei como veículo de salvação, estará irremediavelmente perdido, pois escolheu para si próprio a maldição. Pensemos nisto antes de nos deixarmos persuadir pelos judaizantes!
III – AS PRÁTICAS EXIGIDAS PELOS PRIMEIROS JUDAIZANTES, OS DOS TEMPOS APOSTÓLICOS, E SUA REPERCUSSÃO NA IGREJA
- Conforme nos relata o Novo Testamento, os judaizantes dos tempos apostólicos manifestavam-se mediante a exigência, como requisito para salvação, de algumas práticas por parte dos gentios que se convertiam ao cristianismo. A primeira delas é a circuncisão (At.15:1), ato pelo qual alguém do sexo masculino assumia a identidade judaica. A circuncisão, estabelecida antes mesmo da lei de Moisés, pois foi o sinal estabelecido no pacto entre Deus e Abrão (Gn.17:9-14), era o ato de inserção no povo de Deus, daí porque os judeus se vangloriarem em se denominar “descendência de Abraão” (cf. Jo.8:33).
- No entanto, tal exigência, que foi a principal motivação para a convocação do concílio de Jerusalém, era descabida, porquanto a filiação de Abraão, como o disse o próprio Jesus, não é uma filiação baseada num ritual externo, como a circuncisão, mas uma filiação decorrente da fé em Jesus, tanto que a justificação de Abraão se deu não pela circuncisão, mas quando creu eu Deus, crença esta que se deu antes de se circuncidar (cf. Rm.4:10). Aliás, na própria lei, Deus mostrou que relevante era a “circuncisão do coração” (Dt.10:16; 30:6), o que, depois, foi confirmado pela palavra dos profetas (Jr.4:4), ensino que foi retomado por Paulo (Rm.2:29; Cl.2:11).
- Como podemos perceber, portanto, esta primeira exigência dos judaizantes, pedra de toque de sua doutrina, foi frontalmente repelida seja pela própria lei, seja pelos apóstolos, talvez sendo, por isso, que tenha sido “esquecida” pelos judaizantes dos nossos dias. Todavia, o mesmo princípio válido para a repulsa bíblica desta prática vale para todas as demais: a circuncisão estabelecida por Deus a Abraão tinha um papel restrito a Israel e era, na verdade, figura, símbolo de uma realidade espiritual que se revelou plenamente com Cristo Jesus. Assim, a circuncisão simboliza a conversão do homem, o arrependimento pela fé em Cristo, que faz com que o homem nasça de novo e passe a pertencer ao povo de Deus, a Igreja.
- A segunda prática que os judaizantes dos tempos apostólicos exigiam dos gentios era a relacionada com a guarda do sábado (cf. Gl.4:9,10), determinada no quarto mandamento (Ex.20:8-11; Dt.5:12-15). Tal disposição também não constou daquilo que foi exigível aos gentios que se converteram no concílio de Jerusalém, o que é o bastante para mostrarmos que, aos crentes em Cristo, não está prescrita tal exigência, já que as deliberações de Jerusalém foram tomadas não só pelos apóstolos e anciãos, mas também pelo Espírito Santo (cf. At.15:28).
- Entretanto, quando analisamos o próprio mandamento da guarda do sábado, verificamos que sua amplitude não abrange, mesmo, a Igreja, sendo algo relativo tão somente a Israel. Ao contrário da circuncisão, que foi estabelecida entre Deus e Abraão, o sábado foi instituído somente quando se fez o pacto entre Deus e Israel no monte Sinai, primeiro indicativo de que se tratava de uma instituição restrita a este povo.
- Mas, alguém poderia objetar esta nossa conclusão, dizendo que há instituições prescritas nos dez mandamentos que estão presentes apenas nos “dez mandamentos” e que nem por isso seriam restritas apenas a Israel, como a proibição do furto ou da cobiça do alheio. No entanto, para que não houvesse qualquer dúvida a respeito, a questão do sábado é cristalinamente explanada na própria prescrição legal. Quando lemos nas Escrituras o quarto mandamento, percebemos que a proibição do trabalho se dava ao israelita, aos seus filhos, aos seus servos, aos animais e “aos estrangeiros que estivessem dentro da sua porta” (Ex.9:10 “in fine”). Percebe-se, pois, do texto, que o mandamento não abrangia senão quem estivesse sob o domínio de Israel. A justificativa da guarda do sábado refere-se à criação do mundo por Deus, mas tal justificativa não é suficiente para dizer que todos os homens estavam sujeitos à guarda do sábado.
- Ao repetir a ordem da guarda do sábado, ainda no livro do Êxodo, quando Moisés entregava as tábuas da lei ao povo, tem-se explicitamente que o sábado é um sinal entre Deus e Israel, um concerto perpétuo, mas restrito a Deus e a Israel (Ex.31:13-17). Os próprios judeus reconhecem que o sábado é o principal sinal da identidade judaica: “…Foi o expoente moderno do nacionalismo cultural judaico, Achad Ha-am (pseudônimo de Asher Ginzberg, 1856-1927), quem cunhou o epigrama que se tornou famoso não só porque era espirituoso mas porque era verdadeiro: ‘Mais do que os judeus têm guardado o Sabath, o Sabath tem sustentado os judeus.’…” (Nathan AUSUBEL. Sabath. In: A JUDAICA, v.6, p.735).
- No texto em se repetem os dez mandamentos, em Deuteronômio, também temos a mesma situação. Repete-se que a amplitude alcança tão somente o estrangeiro que estivesse em território israelita e, mais ainda, apresenta como justificativa do mandamento o fato de Deus ter libertado Israel da escravidão do Egito e que, por isso, deveria Israel guardar o dia de sábado. Este mesmo pensamento é retomado pelos profetas, em especial, Ezequiel, que afirma que o sábado é o sinal da aliança entre Deus e Israel (Ez.20:12,20).
- Percebemos, portanto, que o sábado foi um mandamento estabelecido entre Deus e Israel, algo prescrito pela lei de Moisés para ter vigência enquanto a lei fosse o critério de relacionamento entre Deus e os homens, sendo, por isso, que Jesus, em momento algum de Seu ministério, determinou que se guardasse o sábado, tendo sido este mandamento omitido no sermão do monte.
- O sábado era um sinal para Israel para que este se lembrasse que tinha por Deus o Criador de todas as coisas, que o Senhor era o seu soberano e libertador, que Israel era uma nação sacerdotal e povo santo, como havia escolhido ser no pacto estabelecido no Sinai. O sábado era, portanto, o sinal, a marca distintiva entre Israel e as demais nações.
- O “Israel de Deus”, o novo povo de Deus, a Igreja, porém, não precisa do sábado, pois suas marcas são outras, são “as marcas do Senhor Jesus Cristo” (Gl.6:17), marcas que levamos em nossos corpos, que são o fruto do Espírito Santo (Mt.5:16; 7:15-23; Gl.5:22). Como estamos em paz com Deus, pela justificação pela fé em Cristo (Rm.5:1), vivemos em um descanso ininterrupto, decorrente do fato de termos nos arrependido de nossos pecados e não endurecido os nossos corações (cf. Hb.4:1-11). O sábado é, portanto, figura do descanso que goza aquele que está em comunhão com Deus e, por isso, nos lugares celestiais com Cristo (Ef.1:3).
- Ao mesmo tempo, vemos que, por ter Jesus ressuscitado no primeiro dia da semana (Mc.16:9), passou a ser este o dia em que os cristãos começaram a se reunir e a adorar a Deus, até porque a ressurreição de Cristo é a razão de ser da fé cristã (cf. I Co.15:2,3,17), gesto que agrada a Deus, tanto que Jesus Se revelou a João, na ilha de Patmos, precisamente no domingo (Ap.1:10).
- Não há, evidentemente, qualquer mandamento bíblico para que se guarde o domingo, até porque a guarda de dias é algo que se referia ao tempo da lei, algo que não tem qualquer sentido para a vida cristã, pois o sábado, como já visto, era figura da vida de comunhão com Deus, de uma vida de tempo integral sob o domínio do Espírito Santo. Se Constantino, logo após permitir o culto cristão no Império Romano, ou o Concílio de Laodicéia, em 364, estabeleceram um dia de descanso para o domingo, oportunidade em que os cristãos já se reuniam para servir a Deus, tão somente adaptaram a lei civil a uma prática já existente, a fim de facilitar a adoração a Deus por parte dos cristãos que, até bem pouco tempo antes, tinham de se reunir às escondidas para adorar o Senhor.
- O fato é que não temos de guardar o sábado, porque se trata de uma instituição restrita a Israel e relacionada com a lei, nem tampouco existe qualquer ordem para guardarmos o domingo, pois a guarda de dias é algo que não se coaduna com a fé cristã, que estabeleceu uma perene e ininterrupta dedicação a Deus, o que não nos impede de, dependendo da lei civil do país onde estarmos, aproveitarmos o “dia de repouso semanal”, determinado pelo Estado (no Brasil, este dia de repouso é, preferentemente, o domingo, conforme se prevê no artigo 7º, XV da Constituição da República), para nos dedicarmos mais intensamente às atividades eclesiásticas. Assim, para os cristãos que moram em Israel, este dia será o sábado; para os cristãos que moram nos países islâmicos, a sexta-feira, sem que isto implique em qualquer coisa a não ser no acolhimento da recomendação divina de que devemos remir o tempo(Ef.5:16; Cl.4:5).
- A terceira prática que os judaizantes dos tempos apostólicos queriam impor aos gentios que se convertiam ao cristianismo era a guarda das festividades judaicas (cf. Gl.4:10; Cl.2:16). Aqui, também, vemos que esta guarda estava vinculada exclusivamente a Israel. A lei de Moisés prescrevia quatro festividades, a saber: a Páscoa, o Pentecostes, a Festa dos Tabernáculos e o Dia da Expiação. Ao longo da história de Israel, outras festas foram acrescentadas, como o Purim e a Festa da Dedicação (Chanucá), bem como os dias de jejuns rituais, festividades, porém, que sempre foram consideradas menores, já que não presentes na lei mosaica. De qualquer maneira, com a vinda de Cristo, todas estas festividades, que apontavam para realidades espirituais mais profundas(cf. Cl.2:17), não mais precisam ser comemoradas, com exceção da ceia do Senhor, que substituiu a Páscoa como celebração comemorativa da morte e ressurreição de Cristo Jesus e anunciadora da Sua volta.
- Verdade é que esta prática judaizante alcançou, à revelia da Palavra do Senhor, sucesso e êxito junto aos segmentos dominantes da Igreja, nos primeiros séculos, quando, em virtude da paganização, acabou-se por utilizar dos argumentos judaizantes para se instituir o calendário litúrgico até hoje adotado por vários segmentos da Cristandade, calendário que tem na Páscoa o seu ponto culminante. Na verdade, esta instituição da “Páscoa cristã” (celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia posterior ao início da primavera no Hemisfério Norte, ou seja, outono no Hemisfério Sul) foi uma hábil distorção doutrinária, que combinou a pressão dos judaizantes com a pressão dos que queriam absorver, dentro da Cristandade, as celebrações pagãs que costumavam ocorrer no início da primavera, vinculadas aos cultos de fertilidade. Vemos, pois, que os judaizantes, bem ao contrário do que apregoavam, foram importantes no processo de paganização da Cristandade.
- A quarta prática que os judaizantes pretendiam impor aos gentios que se convertiam ao cristianismo foi a adoção das leis dietéticas, ou seja, das regras referentes à alimentação, visto que a lei de Moisés prescrevia diversas normas a este respeito. Aqui também a iniciativa dos judaizantes foi repelida no concílio de Jerusalém, onde se determinou que, salvo o sangue, a carne sufocada (i.e., a carne de animais que fossem mortos e preparados sem que houvesse, antes, o derramamento do sangue, o que faz com que as pessoas ingerissem esta carne com o sangue do animal) e a carne sacrificada aos ídolos, nada mais fosse impedido de ser consumido por parte dos gentios convertidos ao cristianismo(At.15:28,29; 21:25). Esta liberdade dietética, a propósito, foi, também, objeto de defesa por parte do apóstolo Paulo em algumas de suas cartas (cf. Rm.14:15-21; I Co.8:4-9; Cl.2:16), bem assim do escritor aos Hebreus (Hb.9:10).
- Assim, como disse lapidarmente o apóstolo Paulo, o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. A comida e bebida que importam, na vida espiritual do cristão, é a sua comunhão com Jesus Cristo, como o próprio Senhor ensinou aos judeus na sinagoga de Cafarnaum (Jo.6:48-58). A propósito, uma prova de que as leis dietéticas eram restritas ao tempo da lei encontramos na própria visão que Pedro teve por parte do Espírito Santo, quando o Espírito, por três vezes, disse que não se podia chamar de imundo aquilo que havia sido purificado por Deus (cf. At.10:13-16).
- A quinta e última prática que os judaizantes pretendiam impor aos gentios que se convertiam ao cristianismo era a peregrinação ao templo de Jerusalém e a participação nos sacrifícios e votos ali realizados (cf. At.21:23,24). Neste ponto, aliás, a própria destruição do templo de Jerusalém em 70, por si só, tratou de calar os judaizantes, na medida em que tal prática se tornou impossível. No entanto, para que não houvesse qualquer dúvida, o próprio Jesus já havia dito que a verdadeira adoração independia da ida ao templo, pois os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade (Jo.4:24), expressão de Cristo que mostra, claramente, que, com a Sua vinda, alcançava-se um novo patamar no relacionamento de Deus com os homens. Esta adoração em espírito e em verdade era o resultado da “chegada da hora do Senhor” (cf. Jo.4:21,23). A “hora de Jesus”, ou seja, o tempo da graça e da verdade (Jo.1:17), explica porque não devemos mais seguir a lei, porque a lei é o antigo pacto, que, por ser antigo, se acabou (cf. Hb.8:13).
- Apesar disto, em que pese o templo de Jerusalém ter sido destruído e os próprios judeus não mais fazerem sacrifícios, aguardando a tão esperada reconstrução do templo, algo que não tardará a acontecer, o fato é que, em meio à Cristandade, os argumentos dos judaizantes encontraram eco, sendo a razão de ser de várias práticas que hoje se infiltraram em diversos segmentos ditos cristãos, notadamente a adoção de rituais e cerimônias do antigo pacto, sem se falar na própria doutrina da transubstanciação, segundo a qual, o pão e o vinho da ceia se tornam o corpo e sangue de Cristo, fazendo com que cada culto se torne um sacrifício do Senhor. Ainda que não se tenha o templo, várias práticas cerimoniais do tempo da lei foram e têm sido adotadas e acrescentadas por estes segmentos que, assim, homenageiam os judaizantes dos tempos apostólicos, causando evidente inobservância da Palavra de Deus.
IV – OS MODERNOS JUDAIZANTES
- Apesar de terem sido censurados pelos apóstolos e de se ter decidido, no concílio de Jerusalém, que não se deveria impor a lei de Moisés aos gentios que se converteram ao cristianismo, o fato é que a história da Igreja mostra que sempre houve aqueles que, a despeito de tudo isto, se deixaram levar pelo “fermento dos fariseus” e tentaram, de uma ou outra forma, “judaizarem” a fé cristã.
- No Concílio de Laodicéia, em 364, por exemplo, o cânon(ou seja, uma regra que ali foi estabelecida) prescreveu que :
"Os cristãos não devem judaizar e descansar no sábado, mas trabalhar nesse dia; devem preferir o Dia do Senhor e descansar, se for possível, como cristãos. Se eles, portanto, forem achados judaizando, sejam malditos de Cristo."
Prova de que, cerca de 300 anos depois do Concílio de Jerusalém, ainda havia aqueles que insistiam na guarda do sábado como requisito para salvação.
OBS: A propósito, devemos aqui observar que este cânon é apresentado pelos adventistas do sétimo dia como sendo a “prova” de que o “domingo” foi estabelecido pelo Papa e que é, portanto, “o sinal da besta”. Entretanto, neste Concílio, além de não se instituir a guarda do domingo, pois apenas se revela o que já existia, há, sim, a repetição do que a Bíblia já dizia com respeito à guarda do sábado. Por fim, o Papa (se é que existia um a este tempo), ou seja, o bispo de Roma, não participou deste Concílio.
- Como gostam de mencionar os adventistas do sétimo dia, ao longo dos séculos, sempre houve grupos que mantinham a guarda do sábado, como a igreja celta (os celtas eram povos que habitavam em parte da Europa, na Grã-Bretanha e Irlanda) e parte dos valdenses, grupo que foi considerado herético pela Igreja Romana. O reformador protestante alemão Andreas Rudolf Karlstadt (1480-1541), que se juntou a Lutero, foi um ardoroso defensor da guarda do sábado.
- No entanto, o movimento que mais vigorosamente, nos últimos tempos, viria a defender a guarda do sábado seria o movimento adventista, cuja principal denominação é a Igreja Adventista do Sétimo Dia, que, já pelo nome, demonstra a importância que dá ao sábado na sua doutrina.
- Na verdade, quando bem analisamos a história do movimento adventista, vemos que este enfoque que se dá ao sábado é decorrência da própria desmoralização que o movimento sofreu em 1848 e como a doutrina surgiu mais como uma “tábua de salvação” para o grupo do que como fruto de uma convicção refletida e profunda.
- O movimento adventista surgiu com William Miller(1782-1849), nascido em Pittsfeld, no estado norte-americano de Massachusetts, embora tenha passado sua infância e adolescência em Hampton, no estado norte-americano de Nova Iorque. Fazendeiro, auto-didata, empenhou-se no estudo das Escrituras, após ter se convertido ao Evangelho, pertencendo a uma igreja batista. A partir dos seus estudos, entendeu que o “fim do mundo” se daria em 1843, começando, então, a pregar a respeito disto, atraindo para si multidões, criando, então, o movimento adventista, época em que publicou o livro Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ about the year 1843 (Evidências das Escrituras e História da Segunda Vinda de Cristo por volta do ano de 1843).
- Em 1843, porém, Jesus não voltou, mas Miller, alegando algumas falhas em seu primeiro cálculo, disse que Jesus voltaria em 22 de outubro de 1844, tendo, então, milhares de pessoas se preparado para a volta do Senhor, que também não ocorreu. Diante disso, muitos dos seguidores de Miller retornaram a suas igrejas, como o próprio Miller, que admitiu ter se equivocado. Outros, porém, crendo que não poderia ter havido equívoco, tentavam uma forma de explicar o que ocorrera.
- É, então, que surge a figura de Ellen Gould White, que, com 13 anos de idade, em 1840, quando ainda se chamava Ellen Harmon (seu nome de solteira), havia aderido ao movimento adventista de Miller com todo o ardor, quando esteve pregava em Portland, no estado norte-americano do Maine, onde, há dois anos antes, havia se convertido a Cristo, tendo pertencido à igreja metodista. Segundo sua biografia, após a decepção de 1844, White não se conformou com o equívoco e passou a buscar a Deus a fim de que se esclarecesse o que havia ocorrido. Assim, teria tido uma visão em uma reunião familiar de adventistas, em Portland, tido uma visão em que vira o povo do advento para a cidade de Deus, a partir de então, tendo ido anunciar esta sua visão para vários grupos adventistas, passando a ser um alento a este movimento.
- Conheceu, então, James White, jovem pregador adventista, com quem se casaria em 1846. Pouco antes do casamento de ambos, porém, chegou ao conhecimento dos dois noivos um escrito do pastor Joseph Bates, de New Bedford, no estado norte-americano de Massachussets, onde se defendia a guarda do sábado. No dia 7 de abril de 1847, White teria uma nova visão, em que se “esclarecia” o que havia ocorrido em 22 de outubro de 1844, quando se lhe foi mostrada a lei de Deus no santuário celestial com auréola de luz em volta do quarto mandamento, o que a teria feito entender a verdade da importância do sábado para a vida espiritual.
- Segundo esta visão, que era a “tábua de salvação” do adventismo, Jesus, em 22 de outubro de 1844, teria ingressado no “santuário celestial”, para purificá-lo, dando início ao “juízo investigativo”. Na verdade, esta idéia de que Jesus teria, não retornado à Terra em 1844, mas ingressado no “santo dos santos” tinha sido levantada um dia depois do “grande desapontamento”, pelo adventista Hiram Edison que, no dia 23 de outubro de 1844, teria dito ter tido uma visão, que transcrevemos:
“Detive-me em meio ao campo. O céu parecia abrir-se-me a vista e vi distinta e claramente que em lugar de nosso Sumo Sacerdote sair do Lugar Santíssimo do santuário celestial para vir à Terra... Ele pela primeira vez nesse dia entrava no segundo compartimento desse santuário; e que tinha uma obra para realizar no Santíssimo antes de vir à Terra.” (História do Adventismo, de C. Mervyn Maxwel, p. 50) (Natanael RINALDI. Juízo investigativo. http://www.cacp.org.br/advjuizoinvest.htm Acesso em 13 abr. 2006).
b) a guarda do sábado, considerada a “verdade” proveniente da visão do “santuário celestial”.
OBS: “…"Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna". (Livro: Testemunhos Seletos, vol. III pág.22, EGW ed1956).…” (Natanael RINALDI. A questão do sábado. Compilação de João Flávio Martinez. http://72.14.203.104/search?q=cache:RQjPOAPVPhEJ:yeshuachai.org/forum/viewtopic.php%3Fp%3D13441%26sid%3D3460dc20eb1e8c225a9f2766d95696f5+%22guarda+do+s%C3%A1bado%22,+Valnice&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=7 Acesso em 13 abr. 2006).
- Muitos são os grupos ditos “evangélicos” que têm adotado não só a guarda do sábado (como é o caso da pastora Valnice Milhomens Coelho, líder da Igreja Mundial do Senhor Jesus Cristo, também ligada ao G-12), como também a celebração de festividades judaicas, celebrações estas que, sob o pretexto de se aproximar dos judeus para sua evangelização ou como um evento esporádico para demonstração de amor e afeto a Israel, tem se enraizado em diversos grupos e movimentos, num comportamento judaizante inadmissível e que, como já foi visto, só tende a trazer perdição para seus praticantes. Como afirma Clériston Andrade, “…Celebrar uma festa judaica na igreja como representação simbólica do período vétero-testamentário nada tem de mais, no entanto, colocar isso como obediência de mandamento é certamente abandonar a graça de Deus e voltar a Lei.…” (end. cit.).
OBS: Em entrevista à revista Vinde (hoje Eclésia), Valnice Milhomens ter decidido guardar o sábado depois que recebeu uma “iluminação” quando em uma de suas viagens a Israel. Como se vê, uma vez mais, uma “revelação”, um entendimento subjetivo se sobrepõe às evidências objetivas da Palavra de Deus.
- Aliás, voltando a falar do movimento dirigido por Valnice Milhomens Coelho, entende ela que a Igreja, desde o surgimento do movimento sionista (i.e., o movimento da comunidade judaica para estabelecer um Estado judeu na Palestina, que levou ao reaparecimento de Israel em 1948), ficou patente que deve a Igreja voltar às “suas origens”, retornar a “Jerusalém”, abandonando “Roma”, recuperando “os valores e heranças hebraicas”. Tal percepção teria tido a referida pastora após uma reunião de oração no ano de 1994, em São José dos Campos, Estado de São Paulo, Brasil.
- Logo se verifica que esta “visão” da referida senhora não tem qualquer respaldo bíblico. Jamais a Igreja genuína e verdadeira abandonou as suas raízes, que não são “valores e herança hebraicos”, mas, sim, Jesus Cristo, o único fundamento sobre o qual se erige a Igreja (I Co.3:11).
- Como bem explanou Paulo em sua epístola aos romanos, o Evangelho veio transformar tanto os gentios quanto os judeus, pois nem o paganismo, nem o legalismo poderiam salvar o homem. À Igreja cabe pregar este Evangelho. A restauração da nação israelita, prevista na Bíblia, é, sim, um fator importante para a Igreja, pois é prenúncio de que seu tempo está chegando ao fim. Estamos nos últimos instantes do tempo dos gentios e, quando o “relógio de Deus” começar a correr para Israel, novamente, estaremos, não envolvidos na cultura hebraica, como afirma a líder da Igreja Mundial do Senhor Jesus Cristo, mas na última semana de Daniel, na Grande Tribulação, oportunidade em que a Igreja já estará com o seu Senhor nos ares (I Ts.4:14-18).
- Portanto, não nos deixemos iludir com este “evangelho judaizante”, que defem um “retorno à Jerusalém terrestre”, mas, lembremos que estamos a caminho de Jerusalém celeste, “… a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).
- Já há cristãos usando “kippá” (o solidéu, tradicional chapéu judaico), esquecendo-se de que esta indumentária simboliza a presença de Deus, como se o cristão precisasse de algo que indicasse que Deus está sempre com Ele até a consumação dos séculos.
- Outros somente celebram a Ceia do Senhor no dia “14 de abril”, esquecidos de que, se é para celebrar a Ceia na mesma data da Páscoa(Pesach, em hebraico) (o que, certamente, não se encontra na Bíblia Sagrada, mas que até consideramos não ser vedado por ela, vez que não há uma regra absoluta quanto à periodicidade da ceia), esta é comemorada pelos judeus no dia “14 de Abibe( ou Nissan)”, que nem sempre é “14 de abril”, pois o calendário judaico é diferente do nosso (em 2006, por exemplo, Pesach caiu em 12/13 de abril, já que o dia judaico começa no pôr-do-sol).
- Por fim, há aqueles que, na celebração da Ceia do Senhor, introduzem no pão as “ervas amargas”, visto que este elemento estava presente na comemoração da Páscoa (Ex.12:8), esquecendo-se de que a última páscoa foi celebrada pelo próprio Jesus que a substituiu pela ceia do Senhor, cometendo, assim, aquilo que o próprio Senhor condenou, qual seja, o de que “Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura.” (Mt.9:16). A celebração da ceia não tem “ervas amargosas”, porque o amargor do pecado foi totalmente assumido por Cristo no Calvário, onde tomou fel por nós (Mt.27:34), assumindo integralmente o castigo do pecado por todos nós. Agora, à Igreja, só resta justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17b).
- Todos estes “modismos” e “inovações” devem ser prudentemente observados pelos sinceros e genuínos servos do Senhor, pois são práticas que não têm qualquer respaldo bíblico, antes, pelo contrário, foram duramente condenadas pelas Escrituras, pois têm como finalidade fazer-nos voltar à escravidão da lei, tendo já sido dela libertos pela obra redentora de Cristo Jesus no Calvário. Nada que represente a diminuição do valor de Jesus Cristo pode ser acolhido pelo verdadeiro cidadão dos céus e que possamos, assim, nos livrar destas sutilezas satânicas, que, há muito, têm tentado perturbar a fé dos crentes.

16 comentários:

  1. Muito bom Pastor...
    Tomei a liberdade de colocar em blog alguimas de suas considerações!!
    Que Deus continue lhe abençoando!
    Abraços Pastor Zezinho

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  2. Excepcional explanação, riquíssima narrativa, sempre calcada em referências, fatos e elementos históricos e repleta de bases bíblicas. Uma verdadeira aula sobre o assunto e o mais aprofundado estudo sobre o tema que tive a oportunidade de ler.
    Que Deus te abençoe muitíssimo e continue oportunizando a muitos, através de você, o privilégio de conhecer a verdade.

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  3. Guardo o sábado por ser o dia que o Senhor Deus separou para o descanso.

    A guarda do sábado não é lei de Moisés e sim uma ordem de Deus por ocasião da criação.

    Podem tecer comentários brilhantes, mas jamais tirarão de nós a obediência a Santa Palavra de Deus.
    Não adoramos o sábado, nem tampouco ele nos salva, quem nos salva é o Calvário. Cristo na cruz nos garantiu a salvação eterna.
    A graça, a boa vida terrena, as vitórias alcançadas, a prosperidade espiritual e financeira, são apenas resultado da obediência aos mandamentos do Senhor.

    Somos salvos pela graça, pelo Calvário. Feliz é aquele que obedece a ordem do Mestre.

    Feliz sábado

    Maranata!

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  4. Deus não mandou ninguém guardar sábado na criação. Isso foi dado somente aos Israelitas segundo a carne depois da libertação do cativeiro do Egito quando da entraga da Lei. O sábado é sombra como ensina Paulo. Os judaizantes são idólatras e pagãos, pois idolataram o paganismo judaico e os costumes pagãos do juadaísmo rabínico que nada tem a ver com Jesus.

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  5. quem disse q o sabado nos dias de hoje é o mesmo sabado q Deus descansou ou ordenou alguem descansar?, o domingo q o primerio dia da semana é um dia de descanso e de consagraçao a Deus, descansa do teu trabalho e oferece o domingo ou sabado como dia de consagraçao a Deus, o importante é separar tempo para Deus.

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    1. Porquê devemos lembrar-nos do dia do Sábado? A Bíblia diz em Êxodo 20:8 “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.”

      Segundo as Escrituras, quando começa e termina o Sábado? A Bíblia diz em Levítico 23:32 “Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.”

      Quando começa a tarde? A Bíblia diz em Marcos 1:32 “Sendo já tarde, tendo-se posto o sol, traziam-lhe todos os enfermos, e os endemoninhados.”

      Não se deve trabalhar no Sábado. A Bíblia diz em Êxodo 20:9-10 “Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas.”

      Que conselho sobre como guardar o Sábado nos dá Isaías? A Bíblia diz em Isaías 58:13-14 “Se desviares do sábado o teu pé, e deixares de prosseguir nas tuas empresas no meu santo dia; se ao sábado chamares deleitoso, ao santo dia do Senhor, digno de honra; se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem te ocupando nas tuas empresas, nem falando palavras vãs; então te deleitarás no Senhor, e eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”

      Que conselho sobre como guardar o Sábado nos dá Neemias? A Bíblia diz em Neemias 13:15, 19, 22 “Naqueles dias vi em Judá homens que pisavam lugares no sábado, e traziam molhos, que carregavam sobre jumentos; vi também vinho, uvas e figos, e toda sorte de cargas, que eles traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles quanto ao dia em que estavam vendendo mantimentos. … E sucedeu que, ao começar a fazer-se escuro nas portas de Jerusalém, antes do sábado, eu ordenei que elas fossem fechadas, e mandei que não as abrissem até passar o sábado e pus às portas alguns de meus moços, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado. … Também ordenei aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia.”

      Que evidência encontramos de que o Sábado foi escolhido como dia de adoração pública. A Bíblia diz em Levítico 23:3 “Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o sábado do descanso solene, uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas habitações.”

      Jesus sugere que as horas do Sábado sejam usadas para fazer boas obras. A Bíblia diz em Mateus 12:11-12 “E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há de lançar mão dela, e tirá-la? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.

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  6. esse povo tem que ler mais a bíblia

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    1. O Deus que servimos,é o mesmo do passado,do presente e do futuro,seguimos o que esta na palavra Dele,sem um til,nem uma vírgula,a palavra Dele é viva e verdadeira.

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  7. Colocar tudo numa panela só é muito simples. Se existe judaizantes não se pode confundir com aqueles que querem resgatar as raízes. Não são hábitos e costumes. Como um prédio pode existir(Nt) tirando seus pilares(AT).Não se fala mais em judeus? não se fala em Jesus. então.
    Ele é(não foi) o Leão da tribo de Judá, e assim voltará. Leiam Ezequiel 37: os 2 ramos de oliveira serão um nas mão do Senhor e isto tem a ver com o final dos tempos. Cuidado não confundam. Este é o papel do AntiCristo cegar a igreja para não se preparar para a volta do Senhor. Não sejam seletivos. Não é importante a doutrina dos lideres de certas igrejas, mas sim a palavra do Senhor.Haja revelação!!!!

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  8. O POVO DO MEU ABUSO ESSES QUE INTERPRETAM A BÍBLIA COM LENTES ADVENTISTAS.

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  9. Nunca vi tanta idiotice como as ditas pelos adventistas. Esse povo fica impossibilitado de ver a verdade por causa das mentiras e visões da carne da sua fundadora. e é claro ela sofria de teomania.

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    1. Porquê devemos lembrar-nos do dia do Sábado? A Bíblia diz em Êxodo 20:8 “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.”

      Segundo as Escrituras, quando começa e termina o Sábado? A Bíblia diz em Levítico 23:32 “Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.”

      Quando começa a tarde? A Bíblia diz em Marcos 1:32 “Sendo já tarde, tendo-se posto o sol, traziam-lhe todos os enfermos, e os endemoninhados.”

      Não se deve trabalhar no Sábado. A Bíblia diz em Êxodo 20:9-10 “Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas.”

      Que conselho sobre como guardar o Sábado nos dá Isaías? A Bíblia diz em Isaías 58:13-14 “Se desviares do sábado o teu pé, e deixares de prosseguir nas tuas empresas no meu santo dia; se ao sábado chamares deleitoso, ao santo dia do Senhor, digno de honra; se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem te ocupando nas tuas empresas, nem falando palavras vãs; então te deleitarás no Senhor, e eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”

      Que conselho sobre como guardar o Sábado nos dá Neemias? A Bíblia diz em Neemias 13:15, 19, 22 “Naqueles dias vi em Judá homens que pisavam lugares no sábado, e traziam molhos, que carregavam sobre jumentos; vi também vinho, uvas e figos, e toda sorte de cargas, que eles traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles quanto ao dia em que estavam vendendo mantimentos. … E sucedeu que, ao começar a fazer-se escuro nas portas de Jerusalém, antes do sábado, eu ordenei que elas fossem fechadas, e mandei que não as abrissem até passar o sábado e pus às portas alguns de meus moços, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado. … Também ordenei aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia.”

      Que evidência encontramos de que o Sábado foi escolhido como dia de adoração pública. A Bíblia diz em Levítico 23:3 “Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o sábado do descanso solene, uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas habitações.”

      Jesus sugere que as horas do Sábado sejam usadas para fazer boas obras. A Bíblia diz em Mateus 12:11-12 “E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há de lançar mão dela, e tirá-la? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.

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  10. quem é maior o decreto dado por DEUS a humanidade
    através do decálogo dos 10 mandamentos ou o decreto de Constantino Imperador pagão romano que
    infiltrou as raízes pagãs na tradução da bíblia.

    Francisco -São Lus-Ma

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  11. Vocês evangélicos falam da igreja romana, e vivem debaixo das correias dela, são as filha da
    prostituta de apocalipse, querem anular a palavra de Deus, apesar da bíblia está adulterada,mas ainda ficou a verdade em algumas de suas páginas, quem ler sem defender doutrina de igreja, percebe a verdade nessa bíblica escolhida por Constantino Imperador Romano, é só ler os concílios de Nicéia, trento e outros que descobre a verdade.
    Francisco- São LUis-Ma

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  12. Jesus e os apóstolos não eram judeus e guardavam o sábado?

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  13. essa doutrina de não guardar o sábado na nova aliança provém do império romano em constantino, é ler a história dos concílios que descobriram quem ajuntou e formou essa bíblia existente hoje, então o sábado, é mandamento de DEUS. a as todas as igrejas protestantes são filhas da igreja mãe prostituta católica, está no livro de apocalipse, um livro que foi acrescentado e tirado algumas verdades, não pode ser inspirado por Deus, e ter divisão em seus textos, uma acusação e defesa no mesmo livro, isso que fez foi a igreja mãe, quando ajuntou os livros, através dos concílios católicos.

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